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RE-ROUPA

10,000 peças de roupas são jogadas fora a cada 5 minutos.

Impressionante, né? Acalme-se, pois ainda há números mais alarmantes por vir. Segundo o Conselho de Reciclagem Têxtil, nos Estados Unidos, os americanos compram cerca de 11 bilhões de quilos de roupas novas por ano. Outro dado interessante, de acordo com um artigo da CNBC, os indivíduos consomem 400% de roupas a mais comparando com 30 anos atrás. E, pour le grand final, a EPA divulgou que quase 13.1 milhões de toneladas de roupas são jogadas fora por ano.

Como se os números por si só não bastassem, descobri que as marcas, sejam de luxo ou populares, têm tendência a queimar todas as sobras de materiais de suas devidas coleções, tendo em vista que não serão reaproveitadas para futuros lançamentos e sendo assim facilmente descartáveis.

Claro que deve-se avaliar outras polêmicas que envolvem a questão abordada. A indústria têxtil é a quinta maior contribuidora para a emissão de CO2 e responsável por utilizar uma grande quantidade de água em seu processo de fabricação. Além disso,existe o problema do trabalho escravo por trás da indústria, que se privilegia do trabalho infantil para a fabricação de roupas em massa, gerando grandes impactos sociais no mundo.

Foto/adriano abreu/h/selecionadas

Foto/adriano abreu/h/selecionadas

Entretanto, tudo evolui. Tudo se transforma e se reinventa. O que antes era tabu, hoje é natural; o que era errado, hoje é certo; o que era criticado, hoje é elogiado.

Tal mudança também está presente no que diz respeito ao conceito de sustentabilidade. Se antes achávamos que consumir permitia se afirmar, construindo sua própria identidade e diferenciando-se dos demais, hoje já temos tendência a se preocupar com o hiperconsumo e com os recursos escassos. Se antes considerávamos o lixo como algo que deve ser deletado, hoje conseguimos identificá-lo como um processo de transformação presente no ciclo do produto.

Para toda grande transformação, há os grandes agentes transformadores. E a questão da superprodução na indústria de vestuário não foge à lógica. Foi assim que conheci a Gabriela Mazepa, criadora do projeto Re-Roupa, em parceria com o Portal de vendas Enjoei.

Seu empreendimento consiste em uma loja online no qual são vendidas peças de brechó transformadas pela estilista e sua equipe. Para isso, Gabriela utiliza o conceito de upcycling, que é definido como o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade. Resumindo: dar uma nova utilidade ao lixo.

Porém seu negócio não se restringe a vendas online, a estilista também realiza oficinas nas quais as pessoas trazem peças de roupa que não usam ou que estão velhas, e participam do processo criativo de transformação da peça, voltando para casa com uma roupa “nova”.

Através do +Asas tive a oportunidade de participar de uma das oficinas do Re Roupa. Foi incrível perceber que a sua roupa não se restringe somente ao que você vê, que sua forma pode ser transformada e que a roupa muda conforme você muda. Libertando a sua imaginação, você deixa a roupa te acompanhar nas diferentes fases de sua vida.

A atividade te instiga a pensar sobre o que é de fato ser sustentável, tirando-o da zona de conforto e te questionando sobre como ser mais harmônico com o todo.

Mas a mudança não se restringe ao projeto de Gabriela. Outras pessoas, empresas e negócios estão desenvolvendo um novo olhar perante a moda, às vezes conhecido como Slow Fashion (inspirado no Slow Food). Abaixo seguem algumas referências no Brasil:

Insecta Shoes

“Insecta Shoes são sapatos veganos, ecológicos e feitos à mão, produzidos a partir de roupas vintage e tecidos de garrafas pet recicladas. Nossa palavra-chave é reaproveitamento: aumentar a vida útil do que já existe pelo mundo. Através de um processo artesanal, nós transformamos roupas antigas e reciclamos materiais em oxfords e botas veganas. Isso significa que nossos sapatos não possuem absolutamente nenhum uso de matéria-prima animal.”

 Re-Roupa

“Nós nos preocupamos com o consumo consciente, propondo ao mercado da moda produtos que têm uma trajetória clara, informando ao nosso público a origem dos materiais que utilizamos e a maneira como são confeccionados. Assim, reutilizamos tecidos e materiais esquecidos e que seriam jogados fora e a partir deles fazemos nossas coleções. Trabalhamos com pedaços de tecido únicos e consequentemente com peças únicas de forma artesanal.”

 Comas

“Idealizada pela estilista uruguaia Agustina Comas, a marca Comas produz suas peças através da técnica de “upcycling”, processo pelo qual produtos descartados são recuperados, transformados e recolocados no mercado. “Todos os dias as fábricas descartam produtos que não passam pelos controles de qualidade e muitas peças são deixadas de lado. Pra nós, essa sobra é matéria-prima”, afirma Agustina. Sua matéria-prima são as camisas masculinas. “Camisas são peças ícones, de estilo permanente, durável, sem prazo de validade”, observa a estilista. “Essas características acabam se imprimindo nas peças que fazemos, e na política da marca, que vai na contramão da lógica do descartável, das tendências que passam rápido”, completa.”

 Fashion Revolution

“Em 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Hoje, catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo.

O Fashion Revolution Day diz basta. Como consumidores, não sabemos mais quem faz nossas roupas e não sabemos o verdadeiro custo das coisas que compramos. Precisamos de mais transparência, já que a compra é só o último passo em uma longa jornada que envolve centenas de pessoas.”

O movimento também está presente em outros lugares do mundo, sendo os mais famosos From Somewhere e Good One na Inglaterra.

Por fim, aos que se interessarem pela atividade mencionada, vocês poderão obter mais informações acessando o site Re-Roupas, ou pelo site do +Asas, que proporciona a realização da experiência.

 

-Algumas leituras sugeridas caso queira se aprofundar mais no assunto:

Get trashed – do something

Fast fashion’s dirty secret—and a solution made in America

Clothing Canvased Buildings

A generation obsessed with disposable fashion?

How Many Pounds of Textiles Are Trashed Every Year?

 

 

 

*Nota a quem interessar possa: as opiniões explicitadas nesta matéria são exclusivamente do autor. A NOO é um espaço aberto ao debate, queremos estimular a troca de ideias. Se você tem uma visão diferente sobre esta ou outras questões, sinta-se mais do que livre para enviar sua opinião pra cá. Se ela for construtiva e bem embasada, ficaremos felizes em publicá-la ; ) 

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