Do Rio para o mundo, uma plataforma de opiniões, sempre em busca

Proibidinhas: sobre as marchinhas no Carnaval 2017

_Mangabeira_IHF_Glorioso_021817-5263

Fotos Derek Mangabeira – I Hate Flash

Vejo aqui, nessa internet grande, que o assunto do carnaval é a “proibição” de certas marchinhas em alguns blocos. Parece triste, mas se você pensar que os assuntos de outros carnavais iam da coleira da Luma de Oliveira ao significado de Lepo lepo, parece que a humanidade ainda tem esperança e que, sim, é possível que haja discussões além da fantasia da Anitta.

Consultei minha mãe sobre e ela mandou eu procurar o que fazer, mas o país tá em crise e eu sem muito trabalho, então me sobrou algum (muito) tempo pra pensar sobre o assunto.

Naturalmente, o primeiro pensamento que me ocorreu foi “que bando de gente chata, ai que sono, zzzzz”. Continuou no “ minha geração é bem mais chata que a do pai”. Liguei pro meu pai, mas ele não atendeu. Sorte a dele. Discutir o que eu considerava ali as “idiossincrasias” (no popular: mimimi) da geração Y numa segunda-feira não parece um bom programa.

É claro que não tem problema nenhum em cantar “Olha a cabeleira do Zezé” se você não pratica nenhum tipo de homofobia. Penso não haver problema nenhum em cantar qualquer música se você não tem preconceitos e é uma pessoa bacana. Se você é um sujeito preconceituoso não é legal cantar nem Village People, nem Xuxa, nem Racionais, nem nada. E, se você é preconceituoso, talvez carnaval não seja pra você, né!?

Foi aí que eu comecei a ouvir marchinhas de carnaval, e, principalmente, pensar sobre o que eu estava ouvindo. Mal costume geracional, a gente ouve música como atividade secundária, perdendo muito da experiência. Quando você para tudo e ouve música apenas, como sua atividade principal e única, outro tipo de pensamento lhe ocorre. E acreditem, esse ato quase psicótico de apenas ouvir música, sem mexer no celular, sem ler, sem andar, sem mais nada, fez com que minhas opiniões se transformassem.

Na minha posição de homem branco, heterossexual de classe média alta meio baixa, é muito fácil sair na rua com outros muitos como eu e cantar impropérios preconceituosos, alegando que fazem parte de uma divertida tradição de uma época de liberdade. Mas aí vem aquele exercício muito clássico de se colocar no lugar do outro. Fiquei pensando se caso fosse gay e cabeludo e chegasse num lugar onde trocentas pessoas gritam em coro para que cortem o cabelo de alguém. E nem era a faculdade. Ou se eu fosse uma negra e ouvisse gente dizendo que como a cor não pega eles querem meu amor. Não me pareceu muito legal.

Por fim, lembrei do Caetano, que disse em entrevista ao Estado de S. Paulo não ver problema nessas marchinhas. Mas não foi isso, e sim, uma letra, dele Caetano, que diz “Narciso acha feio o que não é espelho”.

Pois se coloque nesse lugar, do espelho. Porque é muito divertido cantar quando se está no meio de uma multidão catártica (e alcoolizada). Dá pra cantar até as músicas da banda do mar e achar divertido. Pois então, mesmo se você se colocar no lugar no outro, e ainda assim achar que não tem problema cantar as marchinhas “proibidas”, se coloque sozinho em frente ao espelho e cante, ouvindo cada palavra que sai de sua boca.

Parece ridículo né ? Machista, misógino, homofobico?

No bloco também é!

Subscribe
Alice Bento
Alice Bento
Ana Clara Abreu
Ana Clara Abreu
Ana Elisa Bekenn
Ana Elisa Bekenn
André Fran
André Fran
André Pereira
André Pereira
Ane Vaz
Ane Vaz
Antonio Autuori
Antonio Autuori
Arturo Edo
Arturo Edo
Beatriz Medeiros
Beatriz Medeiros
Betina Monte-Mór
Betina Monte-Mór
Betina Sanches
Betina Sanches
Brenno Quadros
Brenno Quadros
Bruna Lima
Bruna Lima
Carlos Machado
Carlos Machado
Christian Dechery
Christian Dechery
Clarice Rios
Clarice Rios
Clariza Rosa
Clariza Rosa
Cláudio Franco
Cláudio Franco
Constanza de Córdova
Constanza de Córdova
Dadi Carvalho
Dadi Carvalho
Denise Calasans Gama
Denise Calasans Gama
Diego Sousa
Diego Sousa
Eduarda Vieira
Eduarda Vieira
Emerson Cursino
Emerson Cursino
Érika Nunes
Érika Nunes
Ernesto di Gois
Ernesto di Gois
Evans Queiroz
Evans Queiroz
Fabiana Pinto
Fabiana Pinto
Fabrício Andrade
Fabrício Andrade
Fê Carvalho Leite
Fê Carvalho Leite
Fernanda Cintra
Fernanda Cintra
Fernanda Sigilão
Fernanda Sigilão
Fernando Ferreira
Fernando Ferreira
Gabi Monteiro
Gabi Monteiro
Gabriel Vasconcellos
Gabriel Vasconcellos
Gabriela Munhoz
Gabriela Munhoz
Gabriela Bispo
Gabriela Bispo
Gabriel Cortês Lopes
Gabriel Cortês Lopes
Giulia Rosa
Giulia Rosa
Giuline Bastos
Giuline Bastos
Helena Gusmão
Helena Gusmão
Ingrid Esser
Ingrid Esser
Isabela Peccini
Isabela Peccini
jeff oliveira
jeff oliveira
Jéssica Delgado
Jéssica Delgado
Joana Nabuco
Joana Nabuco
Jóta Stilben
Jóta Stilben
Jônatas Rocha
Jônatas Rocha
Julia Favero
Julia Favero
Julia Pitaluga
Julia Pitaluga
Julia Karam
Julia Karam
Juliana Perez
Juliana Perez
Juliana Ludmer
Juliana Ludmer
Juliana Ricci
Juliana Ricci
Kamila Lima
Kamila Lima
Laila Hallack
Laila Hallack
Larissa Abbud
Larissa Abbud
Laura Borba
Laura Borba
Luciana Guilliod
Luciana Guilliod
Luti Guedes
Luti Guedes
Maria Theresa Cruz Lima
Maria Theresa Cruz Lima
Gabi Alkmim
Gabi Alkmim
Mariana Ferrari
Mariana Ferrari
Mariane Sanches
Mariane Sanches
Marília Cruz
Marília Cruz
Marina Estevão
Marina Estevão
Mary Olivetti
Mary Olivetti
Mateus Habib
Mateus Habib
Matheus Martins
Matheus Martins
Matheus Freitas
Matheus Freitas
Nathalia Oliveira
Nathalia Oliveira
Nicholas Freeman
Nicholas Freeman
Nuta Vasconcellos
Nuta Vasconcellos
Paula Bohm
Paula Bohm
Paula Freitas
Paula Freitas
Paula Rosa
Paula Rosa
Pedro Mib
Pedro Mib
Pedro Nascimento
Pedro Nascimento
Pedro Willmersdorf
Pedro Willmersdorf
Pedro Vianna
Pedro Vianna
Priscilla Brossi
Priscilla Brossi
Rachel Schramm
Rachel Schramm
Raíssa Ferreira
Raíssa Ferreira
Renan Berlitz
Renan Berlitz
Ricardo Mattos
Ricardo Mattos
Rick Yates
Rick Yates
Silva
Silva
Tamih Toschi
Tamih Toschi
Vanessa Verthein
Vanessa Verthein
Victor Takayama
Victor Takayama
Vitória Liao
Vitória Liao
Wendy Andrade
Wendy Andrade
William Anseloni
William Anseloni

TODO MUNDO NOO