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80% do conteúdo da web está bem longe da nossa vã googlada



Há algo de muito podre no maravilhoso reino da internet, e você, provavelmente, nem desconfia disso. Não, não se trata dos memes infames ou das notícias irrelevantes sobre celebridades-desconhecidas. Ou até mesmo vídeos de violência, morte e etc. Ali a coisa toma uma face muito, muito mais sombria. A deep web, como é mais conhecida, é, na verdade, um mundo à parte.

O termo é atribuído a Michael K. Bergman, CEO e cofundador da Structured Dynamics LLC. Ele se refere a todo aquele conteúdo que não pode ser indexado pelos sites de busca e, dessa forma, não está disponível diretamente para quem navega na internet. Basicamente, quando um site é criado, ele pode ser configurado de duas formas: “follow“ e “nofollow”. A primeira permite que os mecanismos de busca tradicionais como Google e Bing encontrem o conteúdo ali disponibilizado. Na segunda opção, não. Mas isso não significa que essa informação não esteja na rede.

Um mundo de 8 níveis de profundidade em que quanto mais pra baixo se vai, mais podre e perigoso fica. Para se navegar pela deep é necessário um conhecimento aprofundado das tecnologias. Por exemplo, para passar do quarto nível é necessário utilizar um browser específico chamado Tor. É necessário também desativar funções de JavaScript do computador e instalar um bom antivírus. Recentemente a empresa responsável pela criação do browser fez um comunicado oficial não recomendando a utilização do mesmo nas plataformas Windows, por questões de segurança.

Por ser um território longe de fiscalizações rígidas, a divulgação de conteúdos perversos é corriqueiro. Atualmente o fluxo de conteúdo na deep web é 500 vezes maior do que na internet comum – 80% do conteúdo da web está lá embaixo, bem longe dos nossos olhos. Todo o perigo da rede acontece porque as informações que ali estão não são para qualquer um mesmo. Mas há muitas coisas boas; o WikiLeaks, que teve seu berço na deep web, é um bom exemplo do conteúdo útil e interessante que pode ser encontrado. Segredos de Estado, espionagem e tudo mais que você pode imaginar.

O problema é que, exatamente por esse anonimato, sites que escondem o IP do usuário e outras coisas dessa natureza tornam a deep web o local perfeito para a existência, o desenvolvimento e o encontro de pessoas com desejos absurdamente repulsivos. Filmes como “O Albergue” são historinhas de dormir. Só pra se ter um ideia, um dos casos saídos da deep web para o nosso mundo é o do canibal que, em 2003, na Alemanha, confessou em um tribunal ter matado e comido uma pessoa a pedido da própria vítima. O “Canibal de Rotenburg”, como ficou conhecido, diz ter conhecido a vítima e combinado como tudo seria feito através da internet. Uma investigação da polícia levou a uma rede de fóruns de canibalismo escondidos na deep web. “Cannibal Cafe”, “Guy Cannibals” e “Torturenet” eram páginas usadas pelos canibais para marcar encontros e selecionar vítimas para a prática de canibalismo.

Pedofilia macabra, satanismo, assassinos de aluguel, tortura, canibalismo, amputações, trocas de membros, dolls makers (se ficar curioso com essa, tenha cuidado na procura), escatologias, zoonecrofilia e outras coisinhas “bacanas” estão em monte por lá. Porém o que me choca mais é saber que sites e fóruns com esses temas só estão ali porque tem gente que assiste e consome isso. Se você está movido por uma curiosidade enorme e está pensando em se aventurar pela área, cuidado, só pra se ter ideia, um dos níveis da deep se chama Virus Soup, ou “Sopa de Vírus”, o que já dá pra se ter uma noção do que pode acontecer com seu computador e dados pessoais, como os acessos e senhas bancárias.

Os últimos níveis são praticamente inacessíveis. Na verdade, o nível 5 Marianas Web é o divisor de águas entre a deep web conhecida e a deep web oculta, onde se encontram as pessoas com um conhecimento avançado em computação, os verdadeiros hackers, crackers, bankers etc. A partir desse ponto a coisa fica tensa; daí pra baixo existem três níveis, que seriam: Level 6 (vídeos e documentos governamentais, sendo uma rede fortemente criptografada e segura); Level 7 (The Fog/SoupVirus, poder monetário em jogo, onde se negociam bilhões de dólares) e Level 8 (The Primarch System, controle tecnológico global, documentos relacionados a computação quântica, elites de hackers, onde se conquista poder e dinheiro). O último nível é, na realidade, uma espécie de anomalia da web. Descoberto nos anos 2000, ele é um sistema que manda aleatoriamente informações pela web. O nível 7 é uma zona de guerra entre pessoas que querem entrar no nível 8 e os que já estão lá e não querem que ninguém mais entre. Acredita-se que o nível 8 seja protegido por uma função quântica “level 17 quantum t.r.001 level function lock”, impossível de ser acessado por computadores comuns. Quem chega lá fica conhecido como Chefão Final da Internet.


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