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O movimento das coisas… Coisas em movimento

Como designer (vidrada em objetos), venho me questionando cada vez mais sobre a “vida” deles. Na verdade, e com toda essa preocupação, estou longe de ser uma acumuladora. Minha palavra de ordem é MOVIMENTO.

Sabe-se que a humanidade já extrapolou os recursos naturais disponíveis do nosso planeta, mais de 30% além da sua capacidade de renovação, e o prognóstico não é nada animador se continuarmos nesse movimento de consumo desenfreado. Em 50 anos, precisaremos de dois planetas Terra para suprir nossas necessidades básicas: água, energia e alimentos. A fim de minimizarmos o desgaste da nossa “casa” temos que caminhar em outra direção e o consumo consciente é apenas uma questão de mudança de hábito. Escolher o suficiente, melhor e evitar desperdício.

Entre os milhares de objetos que nos rodeiam e , que desejamos, podemos dar um prazo de validade pra eles. Serviu agora, não serve mais, vamos passar adiante, fazer circular. Não é só uma questão de economia, mas de consciência. Que tal? Vamos tentar? Pequenas mudanças no nosso cotidiano podem fazer muita diferença no futuro do nosso planeta.

E para além do consumo consciente e sustentável, que já anda em pauta há algum tempo na nossa sociedade, queria enfatizar um novo conceito que se anima dentro deste tema, que é o de Circulação de objetos, ou seja, o movimento das coisas nas vidas das pessoas, pelos espaços, atravessando o tempo cronológico para rescrever novas histórias e se perpetuar na memória dos sujeitos que os apreende. Este movimento é uma contribuição espontânea, voluntária e solidária também, já que carrega no seu bojo a ideia de compartilhamento, e visa garantir a sustentabilidade da nossa vida aqui na Terra.

Muitas vezes, esses objetos vão se ressignificando em cada existência. Nem mais, nem menos importante, em cada existência uma experiência é única e singular. Quantas vezes não ouvimos falar no tal valor sentimental, afetivo? E quantas vidas e possibilidades esses objetos podem impactar?

Não venho aqui com um discurso anticonsumo, nem tampouco incentivo o colecionismo, hábito, aliás, cultivado desde os primórdios pela humanidade. Naquela época, ter significava poder. Será que esse valor ainda serve para os dias de hoje? Que tal consumir melhor, com critério e assim como os espaços que ora habitamos e deixamos de habitar e, até, os relacionamentos que deixam de valer, ou melhor, deixam de ser valiosos e temos que desapegar… Por que não fazermos o mesmo com as coisas? Que tal pensarmos na “posse” temporária. O empréstimo, aquilo que vale para aquele momento. Buscar o equilíbrio entre o desejo pessoal e a sustentabilidade.

Espaço Vintage

Nessa linha de cooperação, uso compartilhado, reuso, seja lá o que for, muita gente tem feito as coisas circularem, e nesse movimento de vai e vem, muitas experiências inovadoras e outras mais habituais vêm criando oportunidades de negócio. Assim, fomos visitar Vania Yasegi no Espaço Vintage na famosa Feira da Praça XV no Centro da cidade do Rio de Janeiro, seu apreço por roupas de épocas e objetos antigos vem da infância, quando pequena se vestia com as roupas da bisavó.

Vania acredita que comprando em brechós há valorização histórica de cada peça e, você ainda pode conjugar reuso e reciclagem, e claro, reduzir gastos. Muitas pessoas querem algo para uso próprio, para se comunicar de forma original e com preços bem mais acessíveis, o que cai como uma “luva” em tempos de crise. Ela percebe também que além da tribo urbana habitual que cultua o vintage e fashionistas, em geral, que buscam looks genuínos e únicos com tecidos que nem mais existem no mercado com padronagens incríveis, há também o interesse dos produtores e figurinistas que garimpam peças para reconstituir épocas em produções artísticas.

A vintage hunter afirma o que não esquenta no seu espaço:

“ As camisas masculinas da década de 60 e 70 são as queridinhas, como também são os vestidos. Especialmente, quando trazem estampas fortes e características dessas décadas. Peças de estilistas famosos como Yves Saint Laurent, Pierre Cardin e outros tantos nem chegam a respirar nos cabides.”

Sua exposição de objetos, roupas e acessórios de moda, está localizada bem em frente ao prédio histórico do Paço Imperial, aquele do Dia do Fico, só que lá as coisas não ficam, elas circulam.

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Foto arara Espaço Vintage

Coletivo Perpétua

Ainda nessa mesma praça, um grupo de alunas de design da PUC Rio, o Coletivo Perpétua, reviravam as barracas atrás de matéria-prima para suas criações. As meninas transformavam peças, roupas e tudo que encontravam por lá em peças originais, e prontas para uma nova jornada, nova vida por assim dizer.

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Foto divulgação Perpétua 

Insecta Shoes

Ainda, na mesma linha das meninas perpétuas há a experiência da empresa Insecta Shoes que afirma: “sua palavra chave é reaproveitamento”. O tecido de uma simples e desgastada calça jeans se transforma num sapato com o solado de borracha também reciclada. E, assim, o que era antigo e usado, sem utilidade, se torna em algo novo.

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Editorial Insecta Shoes

As roupatecas

Outra ideia que vem dando o que falar é a das roupatecas. Em São Paulo e em Niterói, diferentemente dos brechós, as roupotecas funcionam no sistema de assinatura e, como elas mesmas se denominam: “Nem brechó, nem loja e sim uma biblioteca de roupas”, ou ainda, um “guarda-roupa compartilhado“. Da mesma forma que bibliotecas, as roupatecas em voga, possuem um acervo em que o cliente pode escolher, usar, e devolver as peças.

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Foto divulgação Facebook – Roupateca House of All

Ninho de Livros

E o que é uma biblioteca senão um espaço de circulação de livros? Em um movimento um pouco diferente, podemos citar o projeto Ninho de Livros, criado pela empresa de benfeitorias para cidades Satrápia, que espalha ninhos de livros pela cidade. A ação acontece em espaços públicos com o objetivo de democratizar a leitura, com troca de livros. Olha que maneiro!

Neste projeto qualquer um pode colaborar, as pessoas podem pegar os livros e deixar outros para doação. Isso em casinhas de madeira que são uma graça e convidativas, só de olhar. As mesmas são instaladas em locais de grande circulação. São colocados em média dez livros em cada casa e, em diante, as trocas são variáveis.

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Foto Betina Monte-Mór

Na verdade, tudo isso não passa de uma nova forma de criação de novos/diferentes valores e relações entre consumidores e objetos em modos de consumo alternativos. Ser um consumidor consciente é, portanto, levar em consideração todas as etapas da cadeia produtiva: escolher os produtos pelo seu impacto ao meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, e enfim o preço e a marca.

Então, vamos fazer as coisas se movimentarem?

Para movimentar as coisas:

Espaço Vintage
Em frente ao Paço imperial
Pça XV de Novembro – Centro do Rio de Janeiro
Sábado de 9h até 15h

Roupateca RJ
Rua Manoel Pacheco de Carvalho 339
Trevo de Piratininga Niterói RJ
+55.21982029402
roupateca@roupateca.org

Roupateca SP
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 61 – Pinheiros.
houseofall.co

Insecta Shoes
http://www.insectashoes.com

Satrápia 

http://www.satrapia.com.br/

Foto destaque – Foto divulgação Facebook Roupateca House of All

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