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Mulheres reivindicam e ocupam espaços na cidade e na arte.

Nos últimos anos o movimento de cinema independente tem ganhado força em terras cariocas e paulistanas, onde através de festivais de curta-metragem, mostras livres ou clubes de cinema jovens diretores e atores que ainda são desconhecidos vem descobrindo e sendo descobertos  nas mais diversas esferas da arte.

O 72 HORAS RIO Festival de Filme que acontece anualmente no Museu de Arte do Rio (MAR), na zona portuária do Rio de Janeiro tem sido uma forma de novos diretores mostrarem seu talento e abordarem temáticas que costumam não possuir espaço na indústria cinematográfica tradicional.

Em 2016, o festival aconteceu no mês de Junho e teve grande adesão de mulheres diretoras e atrizes, com curtas-metragens como “Transcrição”, que conta a história de uma escritora de meia idade e o curta “Irmã” do Coletivo Gaia, vencedor dos prêmios de Melhor Trilha Sonora e segundo colocado na categoria de Melhor Curta. O filme aborda temas como machismo, estupro e violência doméstica utilizando como roteiro o texto Trinta Homens, escrito por Luara Colpa. Algumas das produtoras do filme que possuiu sua equipe composta unanimemente por mulheres reclamaram do machismo na escolha do vencedor do Festival, já que, segundo integrantes do coletivo o filme foi um dos favoritos do público, no entanto, por possuir um cunho “político demais” não foi o grande vencedor do festival.

SC São Paulo (SP) 15/02/2014 - Entrevista com a cineasta Anna Muylaert que dirige filme com Regina Casé. Foto Marcos Alves/Agência O Globo

Anna Muylaert, diretora de “Que horas ela volta” e “Mãe só há uma” e, atualmente uma das integrantes da Academia do Oscar.

Apesar de avanços representativos no que diz respeito ao lugar da mulher no cinema, como foi o caso da diretora Anna Muylaert de “Que horas ela volta?” e “Mãe só há uma” que no início de Julho foi uma das convidadas a integrar a Academia do Oscar; em espaços pequenos, como a cena independente de cinema carioca as jovens mulheres seguem tendo que lutar de forma árdua, diferentemente de homens que parecem ter lugares garantidos em mostras e festivais. Como foi o caso da polêmica envolvendo o Tempo Glauber, um centro de cinema e arte que ocupa um casarão na Rua Sorocaba no bairro de Botafogo e que, possui em suas paredes homenagens à história de vida do cineasta Glauber Rocha que, apesar de seus grandes feitos cinematográficos para o “Cinema Novo” brasileiro, tem em sua memória uma personalidade marcada pelo machismo.

Assim como outros centros de arte na cidade, o Tempo Glauber também perdeu financiamento, tendo como saída a abertura das portas para coletivos de arte e cinema que desejassem utilizar a casa para suas atividades; o que não esperavam era que suas atividades de fomento a sétima arte poderiam ofender algumas mulheres cariocas, como foi o caso de Cecília , estudante de Direção Teatral da Universidade Federal do Rio de Janeiro que, após comparecer a um dos eventos de exibição de filmes e debates realizado na casa, se viu na obrigação de reclamar da falta de mulheres naquele espaço e foi assim que, deu-se início a uma série de ocupações artísticas feministas dentro da casa.

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 Sessão de cinema realizada no Tempo Glauber, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Fotografia: Mariana Porto

Ela conta que, após assistir a uma mostra e debate onde todos os diretores eram homens, surgiu a ideia da criação de espaço apenas para mulheres cineastas e foi uma surpresa quando os gestores da casa compraram sua ideia. A vontade de criar um evento onde mulheres pudessem expor seus curtas e outras artes se deu devido aos casos de machismo que ela e outras amigas já haviam sofrido em produtoras de cinema. Segundo Cecília, muitas vezes por se ser mulher e jovem as pessoas te subestimam e assim, cria-se uma dificuldade no processo criativo de trabalho compartilhado em espaços com muitos homens.

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Primeiro Mulheres nas Artes. Fotografia: Mariana Porto.

Em São Paulo, o movimento é um pouco diferente, além do cinema, mulheres lutam também pelo seu espaço na escrita e no mundo das publicações e, foi dessa forma que a Alpaca Press, uma editora independente feita por e para mulheres surgiu em 2014 com a proposta de incentivar jovens mulheres escritoras e artistas a publicarem suas obras.

Com uma rotatividade de colaboradoras, recentemente a Alpaca encerrou seus trabalhos de cineclube, mas o mesmo que ocupou durante bastante tempo a Biblioteca Pública Viriato Corrêa, na Vila Mariana, em São Paulo foi palco de muitas discussões entre mulheres. O cineclube acontecia em parceria com o clube de leitura Leia Mulheres e assim conseguia unir duas grandes paixões de suas colaboradoras, a escrita e o cinema.

Uma das colaboradoras, Carolina Maia contou que o cineclube tinha como objetivo a integração do cinema e a da literatura, já que a escolha dos filmes quase sempre era guiada pela possibilidade da relação entre obras de uma cineasta e uma autora. O cineclube começou com A hora da Estrela (o livro de Clarice Lispector e o filme de Suzana Amaral) por considerarem que ambas as versões eram de grande importância entre as mulheres autoras e cineastas do Brasil. Depois da primeira sessão, ela conta que para garantir a participação do público, os filmes eram escolhidos com base na vontade dos que participavam das discussões que ocorriam após as exibições.

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Grupo de discussão no cineclube da Alpaca Press + Leia Mulheres. Fotografia: Reprodução Facebook Alpaca Press.

Em ambos os grupos e cidades, as organizadoras parecem ter uma preocupação e vontade em comum: a inclusão. Tanto Carolina quanto Cecília, durante as entrevistas falaram a respeito de acessibilidade na cidade, inserção da mulher negra nas artes e escrita e do trabalho que pretendem continuar realizando para conseguirem alcançar mais mulheres.

A próxima edição do Mulheres nas Artes no Rio de Janeiro ocorrerá em Setembro e já possui curtas como Jovelinas: Mulheres suburbanas no samba confirmados, enquanto os trabalhos das meninas da Alpaca Press vai indo além de São Paulo com feiras de zines em outros estados e parcerias com novos projetos literários.

Uma coisa é certa, quando uma mulher consegue crescer e alcançar seu espaço, as outras não ficam para trás e, é com esse espírito, que essas e outras iniciativas feministas vêm crescendo e ocupando com muita arte e sororidade os espaços na cidade.

Foto Destaque – Alpaca Press

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