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Feminista e Funkeira

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Fotos: I Hate Flash

Não leia os comentários. Não leia os comentários. Não leia os comentários. Li.

Participo de diversos grupos no Facebook, normalmente escolho em quais entrar por indicações de amigos ou interesse no tema. Nesses grupos encontramos pessoas de todos os lugares, gostos e opiniões. Porém, mesmo assim, é fácil deduzir quais são as discussões dos grupos feministas, dos de cinema e dos de decoração. Pelo menos era o que parecia. Para minha surpresa, foi em um grupo de humor onde encontrei uma das maiores demonstrações de ódio que já vi na internet (olha que o Dilma x Aécio foi pesado).

Um meme preconceituoso sobre funkeiros havia sido postado no grupo, e isso causou uma chuva de comentários. A defesa do ritmo carioca acontecia em peso, com argumentos embasados, até que alguém levantou o ponto: “Defende o funk e depois reclama que estupram as novinhas”. Parecia que todos os argumentos sobre preconceito e representatividade tinham sumido e, paralelamente, aquele comentário ganhava cada vez mais curtidas. Surgiram outros memes que diminuíram  funkeiras famosas com demonstrações de racismo e ainda mais comentários sobre a relação entre o funk e os crimes sexuais. Na hora isso me lembrou de uma música do Cidinho e Doca:

“Porque tudo que acontece no Rio De Janeiro/ A culpa cai na conta dos funkeiros / E se um mar de rosas vira um mar de sangue / Você pode ter certeza vão botar a culpa no funk”

Acompanhei o post por mais alguns minutos, até que os administradores apagaram.

É estranho ver todo esse preconceito com nome, sobrenome e foto. Culpar um ritmo por atos criminosos é no mínimo ingenuidade. Não é de hoje que o funk é apontado como o responsável pela violência do Rio de Janeiro e, mesmo agora, estando presente em todas as festas da zona sul, isso não mudou. Fica claro que o problema não é onde ele está , e sim onde ele surgiu. É o movimento da baixada fluminense, dos morros e principalmente dos pobres.

Todos os ritmos têm músicas machistas. Isso porque nascem dentro de uma sociedade com esses valores. De modo algum devemos defender a disseminação dessas letras, porém é incoerente crucificar somente a massa funkeira se o problema é bem maior.

O funk é explícito e isso choca.  As letras “poetizadas” são tão responsáveis quanto na divulgação de mensagens de ódio e nem por isso são acusadas de “cultura criminosa”. Noel Rosa em 1932 escreveu: “Mas que mulher indigesta/ Merece um tijolo na testa”; Zeca Pagodinho em “Faixa Amarela: ameaça: “Mas se ela vacilar, vou dar um castigo nela / Vou lhe dar uma banda de frente/ Quebrar cinco dentes e quatro costelas”; Vinicius de Moraes em “Minha Namorada” condiciona: “Você tem que me fazer um juramento / De só ter um pensamento / Ser só minha até morrer”, “Você tem que vir comigo em meu caminho / E talvez o meu caminho seja triste pra você”; e por fim, os Beatles em “Run For Your Life” afirmam que preferem que a mulher morra ao vê-la com outro: “You better run for your life if you can, little girl/ Hide your head in the sand, little girl/ Catch you with another man/ That’s the end, little girl”.

A cultura funk não é machista, a sociedade é. Assim como em outros ritmos, é muito importante problematizar e combater as letras que diminuem as mulheres, porém, todo esse processo independe da deslegitimação do funk. É importante saber contra quem lutar, os Mcs e DJs são profissionais e merecem respeito. Afinal, a luta é contra o preconceito, seja ele qual for. É por isso que dá sim para ser feminista e funkeira.

Segue o baile.

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