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De volta às raízes: a cura para a nossa ansiedade pode estar na criança que um dia fomos

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Ela não consegue dormir por nada. Vira de um lado para o outro até que se dá por vencida e passa a noite em claro. Ele adormece assim que deita, mas tem um sono tão inquieto que acorda cansado como se nem tivesse dormido. Ela vive com o peito apertado. Ele sente o coração acelerar o tempo todo. Ela se esconde no quarto, no banheiro ou onde puder. Ele se entope de junk food sempre que pode.

Quando decidi falar publicamente que sofria de ansiedade, recebi centenas de relatos parecidos com os meus. Os mais insensíveis disseram que “tá na moda ser ansioso”. Decidi não dar ouvidos aos poucos que ainda insistem em pensar que nos fazemos de vítimas em busca de atenção. O fato é que os órgãos de saúde mais respeitados reconhecem a ansiedade como uma espécie de epidemia da atualidade. Não dá para negar que as pessoas estão adoecendo do chamado mal do século.

O mundo corre numa velocidade assustadora e nem sempre é fácil acompanhar o ritmo alucinante das coisas. Quando parecer ou ter se torna mais urgente do que ser, somos levados a competir contra tudo e todos. Uma sociedade assim produz seres autômatos. Egoístas. Superficiais. Cria uma humanidade desumanizada. Quem não se adapta, sofre. De uma forma ou de outra, todos um dia sentirão o peso perturbador do mundo moderno.

Mas não sejamos pessimistas, nem nos tornemos dependentes dos antidepressivos, ansiolíticos ou betabloqueadores. Os remédios podem ajudar no tratamento, mas só mesmo um Tarja Branca para nos curar das dores da alma – uma forma um tanto quanto poética de batizar o diagnóstico de uma enfermidade tão penosa.

Por mais clichê que pareça, a nossa recuperação está dentro de nós. Na volta às nossas raízes. O filme dirigido por Cacau Rhoden indica como tratamento mais eficaz para os males atuais o resgate do espírito lúdico da nossa infância. E sugere um exercício que funcionou como um despertar para mim. Responda de preferência diante de uma antiga foto sua: o que você fez do menino ou da menina que foi?

Sem ignorar as particularidades de cada um e as suas questões mais complexas, não há dúvidas de que os problemas de todos nós seriam menores se ainda brincássemos. A tristeza generalizada é apenas um sinal de que nos afastamos de quem éramos. Ou de quem verdadeiramente somos. A conexão com a nossa essência pode ser recuperada de forma simples.

Não precisamos abrir mão das responsabilidades de gente grande para que encontremos sentido na “Utilidade do inútil” e nos pequenos prazeres que, movidos pela ânsia do progresso, acabamos abandonando. Por mais perigosa que ela pareça, a liberdade é o que nos falta. E o que é a liberdade senão a mais pura expressão da nossa verdade?

Meu avô sabiamente bem-humorado diria: “Não leve a vida muito a sério porque você não sairá dela com vida”. Que tenhamos coragem para brincar! E, assim, levar a vida com mais leveza, alegria e equilíbrio.

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