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Por alguns segundos, 239 pessoas amaram no céu



O que mais se vê por aí são especulações sobre o desaparecimento do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Vou citar algumas delas pra vocês se envolverem no assunto logo no primeiro parágrafo: falha técnica, explosão no ar, terrorismo, suicídio do piloto, erro humano etc. Na memória de todos voltou à tona o caso do voo 447 da Air France, que fazia Rio-Paris e desapareceu em 2009. Mas essa tragédia me lembrou mesmo a do Titanic.

O Boeing 777 é considerado uma das aeronaves mais seguras da história da aviação, assim como o Titanic foi considerado o navio que não afunda. Vejo o mundo tentando desvendar o mistério do acidente e fico só pensando em quem estava a bordo. Imaginando se haveria uma Rose e um Jack.

O avião da Malaysia Airlines tinha 239 pessoas a bordo, pelo menos uma perdeu seu Jack. Começo a delirar, contabilizando quantos Jacks são perdidos, na terra, no mar, no ar. Eu acredito que aprendemos um bocado sobre amor nas tragédias. Não tenho dúvida de que houve no Boeing 777 um casal que, num suspiro de pânico, se olhou nos olhos sem conseguir proferir palavra, se amaram nas nuvens e por ali ficaram.

Talvez eles estivessem brigando quando embarcaram, porque a Rose não saía do celular e eles quase perderam o voo. Decolaram. O tempo estava muito bom, e só pelo fato de estar mais perto do céu, Jack melhorou o humor e tascou umas beijocas na bochecha da Rose, que tentou segurar o riso. Talvez Jack estivesse indo a trabalho para a China e se despediu calorosamente da Rose no aeroporto. Trocaram beijos de primeiro mês de namoro e piscaram com malícia no último olhar.

Quem nunca pensou no que pensaria durante a queda do seu avião? Bom, eu já. Acho que pensei nos meus pais quando era criança. Depois pensei que não queria morrer ainda, que eu amava viver. Quando me apaixonei, pensei simplesmente em abraçar meu amor. Na tragédia a gente ama, a si e ao outro.

Por alguns segundos, 239 pessoas amaram no céu.


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