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A FADA DO AMOR

Era uma vez, em terras nada distantes daqui, onde o mar e a montanha caminham de mãos dadas com a cidade grande, uma menina com fortes traços de fada que vivia de amor. De amar, de receber, de espalhar e de celebrar o amor. Seu nome era Ilana. Ilana Reznik. Quando pequena, toda curiosa, vivia cheia dos porquês na ponta da língua. Questionava tudo, tudinho, e fugia dos padrões que lhe diziam ser os mais certos. Se prendiam o cabelo, ela deixava solto; se vestiam preto, ela se coloria. Dizia ser escritora, mesmo sem ter nenhum conto escrito. Mas sentia que era, e falava isso pro mundo. De certa forma, na verdade, escrevia sim. Pra sua família. Em festas de aniversário ou bailes da realeza, juntava palavras, colava com amor e fazia lágrimas rolarem até dos olhos mais calejados. Virou gente grande e, como mandam os costumes, acabou escolhendo uma profissão e se tornou redatora publicitária. Escrevia. Podia mesmo dizer que escrevia. Mas tinha alguma coisa que faltava, “era tudo um pouquinho vazio”, passava em sua cabeça. Tentou preencher esse buraco com trabalhos voluntários com crianças carentes e, num passe de mágicas, viu que podia se comunicar com as crianças através da sua escrita. Escreveu um livro infantil, cheio de sutilezas. “Quem inventou o telefone queria falar bem perto do ouvido, mas tinha vergonha”, escreveu no que ela chamou de Vontade de Inventar.

Ilana sentiu que aquele era o seu caminho. Nas beiradas da vida real ia satisfazendo seu coração. Até que um dia, uns três anos atrás, longe de tudo aquilo que a sociedade e a lei podiam imaginar, duas amigas suas – duas mulheres – se apaixonaram e queriam celebrar essa união. Padres, rabinos, pastores, ninguém aceitava muito bem o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Nem mesmo um representante do cartório podia fazê-lo, a lei, burra que só, não permitia. Ilana nunca tinha feito nada de tamanha proporção. Mas deixou o coração falar e soltou:

– Posso fazer o casamento de vocês?

– Mas você sabe fazer um casamento?

– Acho que sim, confia em mim.

Num passe de mágicas, adaptou toda a tradição judaica pra um casamento de duas mulheres. Fez as duas quebrarem as taças no final. E, depois do beijo e da promessa de amor, viu duas filas serem formadas. Uma pra cumprimentar as noivas; outra pra abraçar e agradecer a ela, Ilana, por aquele momento. “Foi o casamento mais bonito que já vi”, ouviu.

– Gente, o que tá acontecendo?, falou em voz baixa, perguntando meio pro mundo, meio pra si mesma.

Aquele buraco que ela sentia e preenchia com as crianças foi inundado e, assim como era quando era criança, passou a dizer que era celebrante de casamentos. Mesmo tendo feito um só. Mas preenchia prontuários, cadastros e contratos com o campo profissão seguido de celebrante de casamentos. E o mundo, ah esse mundo cheio de ouvidos, escutou isso. E deu, logo de cara, o desafio de celebrar as bodas de ouro – ou, os 50 anos de puro amor – de seus avôs. Vovô, tradicional que só, duvidou:

– Tá maluca, minha neta? Você é tão jovem, a gente já casou tantas vezes e isso é sagrado.

Ela foi lá e fez todas as tias e tias avós chorarem. O vovô, até hoje, sempre que a encontra diz alguma coisa ou lembrança daquele dia, cheio de emoção.

– Se perguntarem, digam que eu sou celebrante de casamentos – continuou dizendo pros amigos e pro universo.

E foi nessas, de boca em boca, quase que como um passarinho espalhando pólen, que a notícia se espalhou. E apareceram, um, dois, três casamentos mais. O trabalho de redatora, que ainda existia, começou a ficar sem sal, só no preto e no branco. As cores de ser celebrante invadiram. E Ilana tratou de seguir o caminho que o coração mandava. Viu que os casais estavam carentes de casamentos que fugissem do tradicional ‘na riqueza e na pobreza’. Viu que existia, sim senhor, procura por um trabalho personalizado como o seu. Viu que podia trabalhar com o amor e isso, ah, isso era preenchimento demais pra seu coração. “Amor é uma energia”, sentia, e não foi difícil abrir mão do cargo de redatora pra se entregar de vez praquilo que o universo já sabia que ela era: celebrante de casamentos. Desde janeiro desse ano, ela é isso. E só isso.

E quando o trabalho é com o coração, Ilana é a prova viva de que é só beleza por sair. É assim que ela encontra os casais, conversa com eles, faz eles se abrirem, sente o amor, vê choro, chora, conversa sobre passado, pretérito mais que perfeito, presente, futuro, sobre amor, sobre entrega. É assim que ela aborda parentes e amigos próximos, por telefone mesmo. É assim que ela mergulha em referências e inspirações pra cada um dos apaixonados que aparecerem na sua frente. E é assim que ela, num passe de mágicas, faz aquele momento, em que todos os olhos estão voltados pro homem e pra mulher, tão breve marido e esposa, explodam de amor.

– Olha, eu tenho 80 anos, já vi muitos, muitos casamentos na vida, mas essa foi a cerimônia mais bonita que eu já vi – ouviu de uma senhora. Encheu o coração de alegria.

E a gente, nessa constante tentativa de definir as coisas, tenta entender o que casamento significa. A fada Ilana já descobriu: não dá pra definir. São tantos modelos diferentes, tantas formas de entrega diferentes, que é impossível querer colocar tudo isso numa caixinha.

– Não tem regra. A conexão, a união, a entrega são únicas e isso faz de cada casamento um casamento especial. E único.

E nessas, de ir derretendo corações, fazendo lágrimas alcançarem o chão, e o amor virar protagonista que a fada Ilana segue dando um tempero único pra cada casamento que pintar na sua frente. O dela mesmo, quando chegar a hora, vai ser todo organizado com suas próprias asinhas. Digo, mãozinhas. E, ao invés de flores, vão acompanhar a noiva, até o altar, balões coloridos.

– Essa imersão te faz acreditar em amor eterno?

– Me faz acreditar no amor. Torço pra que seja eterno, mas se não for, não tem como dizer que não valeu. Essa certeza de querer estar junto que os casais me passam, ah, isso é lindo demais.

E desse jeito, não tem como ser diferente: assim segue a fadinha, vivendo feliz agora e pra sempre.

 

 

Quem quiser um casamento colorido, entra aqui.

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