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A difícil tarefa de encontrar quem somos

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Nós nascemos, brincamos, vamos para a escola, faculdade, conhecemos alguém especial, aprendemos a usar o abridor de latas, descobrimos que aquela pessoa nem era tão especial assim e seguimos em frente, só mais uma pessoinha num mundo com outras bilhões, avançando casa-por-casa nesse tabuleiro que é a vida. E o que fazemos depois?

Ou, como diria Sartre, o que vamos fazer com o que fizeram de nós?

Durante toda nossa vida, se é que podemos chamar essas duas primeiras décadas de “vida”, nós fomos moldados e deixamos que outras pessoas criassem nossos sonhos e expectativas para o futuro. Nos tornamos adultos acreditando em um mundo binário, onde existem regras e onde o que devemos buscar é claro.

Vinte e poucos anos. Pelos nossos planos a essa altura já deveríamos ter um bom trabalho, dividir um apartamento bacana com um amigo e passar mais tempo em uma cafeteria com nossos cinco amigos do que no nosso trabalho.

A realidade é – bem – diferente.

Vinte e poucos anos e o trabalho de 8 às 18. O trânsito de ida e volta. A preparação do almoço na noite anterior. Vinte e poucos anos e as decepções amorosas. Os amigos que vão embora. A família que está longe. Vinte e poucos anos e uma busca interminável por uma vida que ainda não vivemos.

Às vezes eu tenho uma certa inveja de quem sempre soube quem é. De quem cresceu querendo ser médico, jogador de futebol, modelo. De quem largou tudo para trás para tentar a vida em São Paulo. De quem largou São Paulo para arriscar em Nova Iorque, Bangkok, Tóquio. De quem conheceu a alma gêmea, de quem montou uma família, de quem foi viver como um monge no Tibet. De quem sempre soube, de quem tem coragem, de quem vai.

Outras vezes eu penso: para que tanto esforço? Se somos só mais uma pessoa entre bilhões, por que nos importaríamos? Por que queremos, desesperadamente, nos encontrar?

A resposta vem fácil.

Até onde sabemos, essa é a única vida que temos. E o tempo é curto. Nos importamos porquê, se escolhemos ou não, estamos aqui e fazemos parte desse mundão. Estamos conectados a cada uma dessas outras bilhões de pessoas, a história deles é a nossa história. Como diz em um filme indie que eu gosto muito, mas que ninguém mais assistiu, tudo o que você fizer durante a sua vida vai ser insignificante, mas é muito importante que você o faça porque ninguém mais vai.

Para tentar ser quem eu sou, já deixei a casa dos meus pais, já atravessei o continente, já morei sozinho. Já vivi solteiro, já pulei de um relacionamento para o outro. Já fiz teatro, comecei a escrever um livro, já compus músicas sem saber tocar um instrumento se quer. E a sensação de não estar vivendo a minha vida nunca foi embora, toda transformação que eu acreditei estar vivendo nunca se concretizou.

Toda noite é a mesma história. É pensar em todas as decisões que você fez, é se amar por tudo aquilo que elas te deram e se odiar por tudo aquilo que elas te roubaram. É tentar, sem sucesso, dar sentido à vida.

Na manhã seguinte já está tudo bem. Aceitamos a realidade e seguimos até o metrô para mais um dia de trabalho das 8 às 18, sabendo que quando acabar vamos chegar em casa e dividir os perrengues com os amigos, sabendo que domingo é dia de praia, sabendo que tem temporada nova na Netflix. Outras noites como aquela virão, mas a manhã seguinte sempre é mais forte.

Talvez no final das contas essa busca interminável pelo nosso lugar, por nos tornamos quem deveríamos ser, seja eterna. Afinal, somos uma metamorfose ambulante não é mesmo? O bom é que é impossível permanecer em inércia, o mundo vai continuar girando e te levando a algum lugar. Vamos seguir em frente, deixar nossos sonhos adolescentes para trás e criar alguns novos, porque se não fizermos isso, outras pessoas vão fazer por nós. Vamos nos tornar pessoas completamente diferentes de novo e de novo, sendo influenciados pelas pessoas que amamos, pelo lugar que estamos, pela vida que levamos.

Talvez um dia a gente se encontre e viva a vida que sonhávamos ou que passamos a sonhar.

Talvez não.

Talvez um dia a gente se transforme em uma linda borboleta.

Talvez vamos viver para sempre como uma lagarta.

Enquanto isso não acontece, seguimos girando junto ao mundo, às vezes vamos voltar três casas no tabuleiro e outras vamos tirar números iguais nos dados e podendo jogar de novo, o que importa é tomar as redes dessa mudança e, como escreveu Margaret Atwood, Nolite te bastardes carborundorum, não permita que os idiotas te derrubem.

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